Lily , 14 anos , Brazil

cronicas-de-um-invisivel:

Preto-e-Branco

Onde estou?Como vim parar aqui?-pergunto ao vento, pois estou sozinho. Sozinho em um mundo triste e sombrio. Sem ter quem me entenda, ou escute. Cercado por arvores secas, uma grama cinza, flores mortas e um por-do-sol preto e branco. Já estou me acostumando com essa rotina sem graça. Caminhava no meio da floresta morta quando vi algo diferente, era grama. Essa era diferente da grama cinza que conheço, essa é verde. Ela forma um caminho, resolvo segui-lo, quem sabe encontro um caminho pra lonje desse mundo melancólico. Escuto uma voz de uma garota cantando uma música feliz. Ando alguns metros e é então quando vejo uma garota baixinha, loira, dançando feito uma maluca, cantando uma música que nunca ouvi antes.
-O que está fazendo?- digo à observando de longe. Ela se assusta e se vira revelando seus olhos castanhos claro e um rosto pálido.
-Eu… é…. só estava pintando esse cinza sem graça. Achei que o dono deste mundo iria gostar.- responde a garota.
-Eu sou o dono e estou maravilhado com o que fez com este lugar!- digo olhando para as cores vivas que ela pintou. Ela sorri, e derrepente um arco-iris sai de seu sorriso e pinta uma arvore próxima a ela.
-Quem sabe você podia me ajudar a pintar todo esse cinza triste deste mundo…- diz a garota.
- Eu não sei pintar…-
-Deixa que eu te ensino então…- diz a garota me puxando para dentro da floresta. Cada passo seu pinta a grama cinza em um verde forte. Ela me leva pra um lugar colorido, e florido.
- Onde estamos?- pergunto à garota.
- Ainda estamos em seu mundo…-
-Uau, está tão lindo, como você fez isso?-
-É só cantar!Por que não tenta?- diz a garota sorrindo.Tento cantar uma música, mas a cada som que sai de minha boca as arvores morrem e a grama perde a cor.
-Você não está fazendo certo. Vamos, cante comigo: “Um morango gigante apareceu. A cabeça da morte veio me mostrar que a luz era eu. Um morango gigante apareceu. A cabeça da morte veio me mostrar que a luz era eu.” - canta ela dando pulos e fazendo circulos no ar com as mãos. Nunca tinha escutado aquela música, mas já tinha se tornado uma das minhas preferidas. Canto junto dela e vejo que algumas flores criam cores e arvores ganham folhas verdes.
-Muito bem!A gente faz uma otima dupla, poderiamos pintar todo este lugar, o que acha?-
-Tudo bem!- respondo à garota.
Passamos anos pintando o mundo que agora não pertencia só a mim, agora o mundo era nosso. Tinhamos pintado tudo. Mas por mais que nossas musicas fossem felizes, o céu continuava preto e branco.
-Me desculpe, mas não sou bom o bastante para pintar o céu…- digo à garota.
-Não tem problema…-
- Como pode não…- a garota me interrompe dizendo:
- Cara, você pensa demais, para de pensar!- diz ela cutucando a minha testa. Isso me faz rir.
-Já sei, você poderia chamar seus amigos pra pintar o céu conosco, o que acha?- diz a garota de cabelos dourados.
-O problema é que eu não tenho amigos…- tudo começa a ficar cinza novamente.
- Eu posso ser sua amiga!- diz a garota e me da uma abraço inesperado. Derrepente tudo recebe cores novamente e um imenso raio de luz sai de nós pintando o céu de um azul radiante. Passamos anos contemplando o que construimos, o nosso mundo feliz. Achei que seria assim pra sempre. Mas tudo muda quando em um certo dia ela diz:
- Eu vou ter que ir embora…- disse a garota e desapareceu como poeira diante de meus olhos. A procuro desesperadamente nas cinzas que se transformara, mas nunca consegui encontra-la. Depois de um tempo tudo o que construimos foi morrendo, ficando cinza novamente, o céu voltou a ser o preto e branco como antes. E agora tudo o que me resta é admirar as coisas mortas de meu mundo e recordar das cores que tinham quando você estava aqui comigo…

Meu amor,
eu me apaixonei
pela tua confusão.
Manuscrituras. (via sintoso)

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Migrant birds.

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